segunda-feira, 11 de julho de 2022

Emoções, Vieses e Heurísticas.

 

Emoções, Vieses e Heurísticas. A influência das emoções nas tomadas de decisões. 

Por  Katia Santana.

 

          As emoções estão presentes nas nossas vidas desde a tenra idade – veja a simbiose entre mães e bebês e o processo afetivo que conduz a criança a ser um adulto com alta autoestima - durante o nosso processo de desenvolvimento. As emoções nos dão a condição humana de sermos seres participativos dos grupos sociais estreitando laços afetivos e harmonizando a sociedade

          Contudo essas emoções, muitas vezes, nos atrapalham nas tomadas de decisões, visto que somos seres altamente emocionais e menos racionais, como se pensava antigamente.

Nosso cérebro pega atalhos mentais para economizar tempo e energia na hora de tomar uma decisão. Esses atalhos se chamam heurísticas.

          As heurísticas são atalhos mentais, automáticos memorizados pelo nosso cérebro para que possamos ter praticidade no dia a dia. Esses atalhos ficam cristalizados no hipocampo para que as nossas ações sejam otimizadas: quando vamos ao supermercado – devido ao nosso conhecimento das disposições dos produtos por prateleiras – caminhamos direto para o corredor em que o produto que procuramos está, porque memorizamos os corredores, as prateleiras e a disposição dos produtos. Esses são processos automáticos.

          Os atalhos mentais nos ajudam constantemente a tomar decisões corriqueiras do dia a dia. Desta forma, as heurísticas são importantes nos processos de decisão.

          No entanto, baseados na ideia de que somos seres mais racionais do que emocionais nos equivocamos nas decisões mais importantes das nossas vidas, aquelas baseadas em objetivos e projetos a longo prazo – dimensão marcada para um projeto futuro – tal qual investimentos financeiros, como o financiamento de um imóvel ou a compra de títulos (ativos econômicos).

          Ao passo que nos baseamos em teorias pouco experimentadas e que se tornaram mitos sociais, como a do homo economicus, em que se acreditava que nós seres humanos somos seres egoístas e competitivos, percebemos hoje, a partir de pesquisas neurocientíficas e da teoria do Nobel da economia Daniel Kahneman (modelos cognitivos de tomada de decisões), que não somos tão racionais assim, pelo contrário a maior parte das nossas decisões são tomadas de forma instintual e emocional.

          A teoria do Homo Economicus postulava que os seres humanos se baseavam na razão para encontrar a melhor forma de racionalizar seus recursos na tomada de decisão. O que não é um fato.

          O comportamento base da sociedade não é o mesmo, somos seres subjetivos, portanto tentamos da melhor forma, instintual, preservar a nossa espécie: ao tomar a decisão da compra de um imóvel, por exemplo, a maior parte das pessoas não pensa na angústia de ficar pagando esse produto por longo tempo, mas sim na segurança de um local para a sua família morar, isso é instinto e não razão.

          Conforme teses científicas, baseadas na História e na biologia, os seres humanos condicionados pelo instinto primitivos buscam soluções de preservação da espécie: é o nosso DNA Homo sapiens que “fala mais alto”.

          Conforme o Professor Boggio, nossa racionalidade é limitada isso quer dizer que não temos acesso a todas as informações – nosso cérebro não armazena todas as informações recebidas por dia – além disso, nossas funções cognitivas não têm capacidade para lidar com o amontoado de informações diárias. 

          Portanto, é preciso entender que ao tomarmos decisões as emoções são mais rápidas que a razão. Para raciocinar sobre um problema demoramos frações de segundos, disponibilizamos de tempo e energia, enquanto as emoções são espontâneas. O que significa que o nosso cérebro decide por nós.

          Deste modo, baseados nas emoções vieses e heurísticas, nosso cérebro busca um caminho mais rápido para a tomada de decisão, o que chamamos de atalhos mentais.

          Os vieses cognitivos são padrões de distorções de julgamento, tal como o viés de confirmação que pode nos levar a cometer erros na hora da compra, pois são baseados em crenças, “mitos” sociais dentro dos grupos culturais. Por exemplo de que todos nós devemos possuir uma casa própria, um carro na garagem e roupas da moda, além de cartões de crédito, mesmo que isso nos leve a angústia do trabalho excessivo, culminando em estresse e falta de qualidade de vida: mantemos a nossa crença, opiniões, mesmo com evidências contrarias.

          Os atalhos mentais são necessários para as práticas diárias, mas não quer dizer que sejam eficiente o tempo todo. Contudo, não temos o controle total das nossas funções cognitivas e nem tampouco das nossas emoções, esta última pode ser gerenciada, melhorada com conhecimentos e com a terapia cognitiva comportamental. No entanto, não significa que nos tornaremos o Homo economicus da teoria de outrora.

          Somos seres emocionais e o que nos resta é encontrar meios para gerenciar as emoções em prol de uma vida melhor.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

EBOOK Trilha 3. Os Limites da Razão. São Paulo: Mackenzie, 2022.

KAHNEMAN DANIEL. Rápido e Devagar: Duas formas de Pensar. – 1ºed. – São Paulo: Objetiva, 2012

ZMOTINSTITUTE. Heurística: Como Acontece a Tomada de Decisão. https://zmotinstitute.com >heurística. Publicação em 18/02/2021.

 

 

         

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Jogos para estimular as funções cognitivas.

Funções cognitivas: memória, atenção, percepção, linguagem e funções executivas.
Funções executivas: planejamento, organização, execução e inibição que é o controle comportamental.
Jogos dos quartetos Patrulha Canina. 
Objetivo: formar quartetos com os personagens da Patrulha Canina, quem forma mais quartetos será o vencedor.
O jogo conta com  personagens da patrulha canina, que são divertidos e animados.
Pode ser jogado em família: a Psicopedagoga pode indicar para estimular os laços afetivos.
Benefícios: raciocínio lógico, pensamento estratégico e atenção seletiva, além de habilidades éticas.

Dama
Objetivo: imobilizar e capturar todas as peças do adversário.
Inicialmente posiciona-se as peças no tabuleiro - um jogador fica com as peças escuras à esquerda e o outro com as claras a direita - e em seguida os jogadores devem colocar as peças no jogo, colocando tanto as damas escuras quanto as claras nas casas mais escuras.
Benefícios lógico e cognitivos: raciocinar para buscar meios adequados para alcançar o objetivo, organizar uma variedade de elementos para uma finalidade: veja que uma das funções executivas é a organização. Imaginar concretamente situações futuras próximas: perceba que a imaginação é uma das funções da mente que aparece na infância e que deve ser estimulada. A imaginação faz parte do planejamento. Prever prováveis consequências de atos próprios e alheios e tomar decisões vinculadas a resolução de problemas. Um treinamento para a vida.

Xadrez
Objetivos: impor o xeque mate ao adversário ou o seu rendimento.
Benefícios: desenvolve o raciocínio matemático e o pensamento lógico, além de melhorar a imaginação, criatividade, comunicação, tomada de decisão.

Pega varetas: o objetivo é retirar as varetas do monte sem mexer as demais, somando o número de pontos maior do que o oponente. Pode ser jogado entre dois ou mais jogadores. Quando não houver mais varetas sobre a mesa, cada jogador deve somar a pontuação das varetas de sua posse. Aquele que somar a maior pontuação será o vencedor.
Benefícios: é um excelente jogo para estimular as funções executivas, concentração, coordenação motora fina, equilíbrio e tolerância, além de aprofundar o conceito de multiplicação e levantamento de hipóteses.

Ludo
Objetivos: chegar em primeiro lugar com os quatro peões a casa final. Para isso deve enfrentar os obstáculos do percurso, inclusive os seus oponentes.
Benefícios: controle emocional e cognitivo, gasto de energia. Estimula as habilidades de memória verbal e visual, além de promover a aprendizagem de forma lúdica.

No próximo artigo falarei dos jogos psicomotores. Até mais!!



quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Neurotransmissores e sua importância para o funcionamento encefálico

Neurotransmissores
São substâncias químicas produzidas pelos neurônios  (células nervosas), com a função de biossinalização. Por meio delas, podem enviar informações a outras células. Podem, também, estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no órgão ou músculo alvo.
Os neurotransmissores agem nas sinapses que são o local de junção do neurônio com outra célula.

Função de alguns Neurotransmissores

Dopamina: reduz ansiedade, melhora o ânimo, energia e motivação. 
Hábito: comemorar, ser grato, exercícios físicos.

Serotonina: reduz maus hábitos, aumento da capacidade de decisão.
Hábito: ver o lado bom das coisas, ou seja, positividade, otimismo, atividades físicas.

Melatonina: melhora a qualidade do sono.
Hábito: tomar um pouco de sol.

Noradrenalina: reduz o estresse, melhora o foco e a capacidade de pensar.
Hábito: massagens e exercícios físicos.

Gaba: este é o neurotransmissor do relaxamento, da calma, reduz  a ansiedade e aumenta o relaxamento. Este é um neurotransmissor inibitório, isto é, inibe a liberação de neurotransmissores do estresse, tal qual o cortisol.
Hábito: comer castanhas, foco, meditação, respiração profunda e pausada. Conversa interna. 

Endorfina: reduz a dor, a depressão e aumenta a sensação de felicidade.
Hábito: sexo, chocolate, risos, contato com a natureza.

Ocitocina: ah esse é o neurotransmissor do amor: proporciona bons sentimentos, amor, conexão e confiança.
Hábito: abraços verdadeiros e troca de afeto.

Na aprendizagem, quando o professor é lúdico e afetivo, a criança libera os neurotransmissores que ajudam na atenção, memória e vontade de aprender mais e mais, tal qual a dopamina. Desta forma, é preciso que o docente trabalhe de forma que possa alcançar a todos dentro das suas especificidades.
É importante para isso utilizar diversos métodos de ensinagem para que todos sejam incluídos.

Como o cérebro aprende?
10% lendo
20% ouvindo
30% observando
50% vendo e ouvindo
70% discutindo com outros.
80% fazendo.
95% ensinando aos outros.

Funções cognitivas
Localização: córtex pré frontal
Memória, atenção, linguagem, percepção e funções executivas.
As funções executivas são: planejamento, organização, execução, inibição que é o controle comportamental.
Deste modo, é preciso estimular essas funções com jogos e brincadeiras.
Jogos de damas, xadrez, ludo, dominó, resta um, hora do hush, quebra cabeça, jogo da velha, cruzadinhas, enfim jogos de estratégias e de atenção.
Os jogos proporcionam a melhora das funções cognitivas e a ética, pois treina a regulação, ou seja, as regras que devemos seguir em sociedade e é claro a socialização.
No próximo artigo darei dicas de jogos e como jogá-los.
Até mais!!!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Como fazer para que seu filho seja um bom leitor

Em primeiro lugar é preciso se lembrar que somos seres sociais, vivemos em grupo pelo simples fato de preservação da espécie, ou seja, somos os únicos seres vivos que precisa viver em grupo por vários motivos: defesa, aprendizagem, identidade (cultura) e saúde mental.
Do mesmo modo, aprendemos a partir de imitação, isto é, do comportamento dos nossos semelhantes, em geral dos nossos pais ou tutores, isso não é somente cultural, porque temos os nossos neurônios espelhos, neurônios aprendentes que moldam o nosso comportamento, desta forma, é preciso tomar cuidado com as nossas atividades perante os nossos filhos: se o pai grita com a mãe a criança poderá repetir essa ação.
Contudo, estamos falando de coisa boa: a leitura. Esse hábito tão gostoso e saudável que é prática da humanidade há muitos séculos. Na verdade na idade média poucas pessoas sabiam ler, pois a maior parte da população não era letrada, porém com o advento da prensa, invenção de Gutenberg no século XIX, as pessoas passaram a ler mais, a educação nos bancos escolares foi expandida e esse hábito se espalhou pelos continentes.
Portanto, para que seu filho seja um bom leitor leia para ele e aproveite esse momento afetuoso para se conectar a ele.

Escolha livros apropriados para cada faixa etária com ilustrações e histórias que provoquem curiosidades, que tenha um conteúdo ético para que ele possa refletir e questionar, e que faça sentido para a sua realidade.
Livros devem ser prazerosos, portanto devem conter figuras, jogos, CDs com músicas apropriadas para cada idade e deixar um "quê" de saudades, por isso não leia a história inteira para que haja uma expectativa para o dia seguinte.
Para os bebês, leia para os pequenos desde cedo, os livros devem conter relevos, emborrachados, podem ser de tecido e bem coloridos. O livro de tecido estimula as funções psicomotoras (pegar, largar, apertar, segurar, alcançar, etc) afinal, essa é a fase sensório -motor, o que significa que o bebê aprende por estímulos motores e sensíveis.
Ao sair para passear com o seu filho leve-o em livrarias. As grandes livrarias, mega store, tem espaços lúdicos apropriados para crianças. Com pufes, almofadas, araras com livros infantis é bem colorido, do jeito que as crianças gostam. Na próxima vez que for ao shopping com seu filho ele te puxará para uma livraria, experiência própria.
Dê livros de presente acompanhados com jogos, personagens históricos e heróis, princesas, varinhas mágicas, unicórnio, acessórios, enfim, o que faz parte do imaginário infantil.
Tudo isso mexe com o lúdico, com a imaginação e criatividade, o que reforça as funções cognitivas ( atenção, memória, leitura, planejamento, organização e execução).
E por fim, faça parte da brincadeira esse é um momento de criatividade e afetividade entre pais e filhos.
Boa leitura!!!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A importância do Psicopedagogo nas Escolas Públicas



O Trabalho do Psicopedagogo nas Escolas Públicas.

O trabalho do Psicopedagogo nas Escolas Públicas é importante para que se possa descobrir, e tratar, problemas de aprendizagem nos primeiros anos do ensino infantil, neste caso se faz um trabalho preventivo, sendo assim é possível fazer a prevenção e a intervenção se acaso detectado problemas e dificuldades de aprendizagem.
 No Brasil não há psicopedagogos nas escolas públicas em todos os estados, em São Paulo, por exemplo, somente em alguns municípios, embora a lei n° 15 719 (“Dispõe sobre a implantação de assistência Psicopedagógica em toda a rede municipal de ensino, com o objetivo de diagnosticar, intervir e prevenir problemas e dificuldades de aprendizagem...”) tenha sido sancionada pelo Prefeito Fernando Hadadd em 24 de abril de 2013.  Desta forma ha interesse em pesquisar e orientar gestores, diretores e professores de escolas públicas quanto à importância deste profissional, visto que é uma profissão considerada nova e porque não há conhecimento por parte dos profissionais da Educação.
Buscando a melhoria da Educação é possível descobrir transtornos, distúrbios e síndromes, ou mesmo uma dificuldade de aprendizagem, nos primeiros anos da infância facilitando o trabalho de professores e orientando pais e alunos quanto aos métodos que poderão ser aplicados de acordo com cada problema. 
Como o Psicopedagogo tem acesso às várias ciências que compõe esta profissão – sendo a neurociência da Educação uma das mais importantes – além de aprofundamento nas psicologias do desenvolvimento e comportamento, este poderá corroborar para que os profissionais da educação tenham um resultado satisfatório no ensino-aprendizagem dos alunos.
O Psicopedagogo, na escola, poderá dar assessoramento pedagógico, planejamento educacional, em caráter clínico, realizar diagnóstico institucional e propostas operacionais pertinentes ao ambiente considerando a cultura local, social e econômica. Pode trabalhar com grupos de 11 alunos, especificamente para cada série, ou em casos especiais, com olhar clínico, individualmente.
Poderá encaminhar alunos para outros profissionais, se necessário, e fazer parcerias com o funcionalismo público.
A Psicopedagogia não se limita apenas a assistência ao problema, mas também a prevenção e a promoção da saúde, ou seja, desenvolve atividades com professores, alunos, aprendentes hospitalizados ou em instituições, como no caso da escola pública, para evitar que dificuldades de aprendizagem se instalem.  Trabalha também com orientação às famílias, promovendo um ambiente saudável para os pais e alunos, além de orientar os professores nas questões afetivas.
O trabalho do psicopedagogo na instituição escolar tem a função social de socializar conhecimentos, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta – isso pode ser feito com jogos e nas aulas de educação física sob a orientação deste profissional – dentro de um projeto social mais amplo que poderá incluir os pais.
Este profissional preocupa-se em preparar o indivíduo para uma sociedade mais ética: virtudes morais, conduzindo às suas habilidades em prol de uma sociedade digna.
Muitos alunos apresentam problemas de psicomotricidade, apesar de os professores de educação básica do ensino fundamental I serem aptos, muitas vezes falta direcionamento, deste modo o Psicopedagogo, em parceria com o professor especialista, poderá elaborar exercícios para melhorar o desempenho do aluno – os jogos, as brincadeiras, enfim, o movimento e a expressão corporal fazem a criança aprender brincando – mesmo por que a motricidade acompanha o desenvolvimento cognitivo e vice-versa.  
Com a intervenção psicopedagógica é possível sanar problemas de aprendizagem com a aplicação de testes e avaliação da instituição – toda vez que se levanta uma hipótese, conforme a suspeita do problema aplicam-se testes específicos em prol de eliminar a dúvida – e posteriormente com instrumentos de aprendizagem específico para cada faixa etária. A intervenção nas escolas públicas pode ser feita em grupo. Desta forma, a equipe de profissionais da educação poderá trabalhar conforme as necessidades do aluno devolvendo-lhe o prazer de aprender. 

Reuven Feuerstein, psicólogo romeno radicado em Israel, desenvolveu um método de avaliação de capacidade de aprendizagem, que denomina de Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem (Learning Potential Assessiment Device – LPAD.) esse autor entende que os métodos tradicionais de avaliação são insuficientes para informar sobre a capacidade de aprendizagem dos indivíduos. O sistema de avaliação LPAD visa fundamentar:
a)    Verificar o potencial da aprendizagem;
b)    Conhecer as possibilidades reais de aprendizagem;
c)    Conhecer a natureza do processo de aprendizagem, compreendendo as funções deficitárias;
d)    Dar pistas sobre o método de intervenção que pode facilitar o processo de aprendizagem. (Sisto, et al, 1996, p.129).

Feuerstein usava métodos já conhecidos e outros criados por ele, como por exemplo, a aplicação do LPAD que consiste em aplicar o teste para verificar o estágio de aprendizagem do aluno, fazer a intervenção e depois o teste novamente para ver o que este alcançou. O teste é aplicado de forma dinâmica: teste – aprendizagem – teste. Sabendo que todos nós aprendemos, porém dentro dos nossos limites e é por isso que nosso cérebro deve ser estimulado.
As teorias do desenvolvimento, Piaget e Vygotsky, devem sempre ser utilizadas nas escolas, pois crianças e adultos aprendem dentro dos seus estágios de desenvolvimento e isso deve ser respeitado. As teorias comportamentais e construtivistas tem um papel importante na aquisição dos conhecimentos de um Psicopedagogo, porque este as usará em prol de um trabalho dinâmico e efetivo. 
Por que se trabalha como jogos e testes?
Porque os testes nos dão um norte de como aplicar a intervenção e qual é o problema de aprendizagem.
Os jogos simulam a vida e constroem no aprendente regras de conduta, assimilação da realidade, a importância do respeito, a integridade física, a parceria, ou seja, a importância de viver em sociedade e de criar relações consistentes, além disso, aprende que sem a interação social não há aprendizagem: a ida ao play é importante para criar essas relações.
Os jogos também trabalham as disciplinas de português, matemática, história, química, etc. enfim, o objetivo dos jogos é construir conhecimentos e estimular a criatividade.  Geralmente usa-se esse artificio com crianças entre dois e nove anos, no entanto não nos impede de utilizá-los com adolescentes, jovens e adultos, eis o exemplo do RPG, que trabalha toda a parte cognitiva, emocional e motricidade. É um jogo de estratégia que estimula o raciocínio lógico, outro jogo que pode ser inserido, inclusive como disciplina alternativa, é o xadrez. 
Os jogos trabalham:
·         Conflitos emocionais: raiva, mágoa, dor;
·         Avalia a capacidade de inteligência, atenção, iniciativa;
·         A criança comunica inconscientemente o que está acontecendo com ela, inclusive conflitos familiares: no “parquinho” espaço de brincadeiras, quando uma criança é muito agressiva, por exemplo.
O método tradicional de ensino, escola Prussiana, não identifica problemas de aprendizagem, e nem tampouco auxilia o aprendente a buscar formas construtoras de aprendizagem, porque estagna, e desestimula o aluno com dificuldades que desisti desse processo: o aluno se sente incapaz e excluído da comunidade, pois deixa de ser um ser cognoscente.
Com a intervenção psicopedagógica nas escolas públicas a defasagem, bem como a repetição de séries seria impossível, já que este profissional respeita os limites de cada ser humano introduzindo métodos direcionados a reconstrução do conhecimento.


O que é Psicomotricidade?

A Psicomotricidade é o estudo do ser humano por meio do movimento corporal e suas interações com o mundo. Seu estudo é relacionado ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e orgânico: Motric= movimento humano. PSI= emocional e CO = Cognitivo.
A História da Psicomotricidade começa na Grécia antiga com a supervalorização do corpo, principalmente o masculino, em que os homens exibiam corpos fortes e praticavam o exercício físico como complemento de uma mente saudável: Platão filósofo grego da era clássica em seus diálogos enfatizava a combinação de exercícios físicos em conjunto com a habilidade de filosofar como um hábito saudável. Na Grécia a ordem era que o belo é o bom, deste modo o homem grego – cidadão grego – tinha o direito de participar das discussões na Ágora (praça pública), para decidir a vida política local e ir ao Estadiun para participar dos esportes gregos.
Neste período histórico o homem sabia que deveria combinar a saúde da mente com o corpo, pois isso lhe daria a condição de desenvolver a parte cognitiva do cérebro e a motricidade. Aristóteles, filósofo estagirita, dizia que o corpo era o lugar da matéria lapidada pela alma.  
Portanto trabalhar a mente é trabalhar o corpo e vice-versa, destarte a importância de deixar a criança brincar, movimentar o corpo: correr, subir em árvores, brincar de esconde-esconde, pega-pega, rouba bandeira, queimada, polícia e ladrão, etc. em brinquedos planejados para o desenvolvimento motor, tal qual os que hão nos espaços apropriados para isso “ parquinhos” é deveras necessário para o desenvolvimento cognitivo, lógico e comportamental da criança. Não se deve proibir a criança de brincar, mas sim estimulá-la para que cresça saudável e com habilidades sociais e inteligência emocional.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

ATENÇÃO, APRENDIZAGEM E MEMÓRIA



ATENÇÃO APRENDIZAGEM E MEMÓRIA.
       Para saber como o cérebro aprende e como armazenamos informações e conhecimentos primeiro é preciso saber qual é a fisiologia cerebral, ou seja, como o cérebro funciona.
Para isso nos baseamos na neurociência da educação, bem como na fisiologia e anatomia cerebral.
Entendendo o sistema límbico:
       O sistema ou estrutura límbica é parte do cérebro onde se localiza as nossas emoções e memórias, pois ambas fazem parte do mesmo lobo cerebral.
A estrutura límbica regula o comportamento emocional, desta forma é preciso cuidar para que emoções negativas não influenciem na memória: se tenho um trauma por causa de uma aprendizagem mal sucedida não irei guardar os conhecimentos na memória, tampouco querer aprender novamente, pois emoções negativas provocam um bloqueio na memória permanente.

            CONCEITO
            As emoções são experiências subjetivas acompanhadas de manifestações fisiológicas, nem sempre fáceis de ser detectadas. Para a Neurociência, as emoções são fundamentais para a adaptação do indivíduo. No entanto, estabelecer as bases neurais das emoções é uma tarefa complexa e ainda não completamente elucidada.
O termo lobo límbico (limbus: margem, borda) foi sugerido por Pierre-Paul Broca, que se referiu ao conjunto constituído por um anel de estruturas corticais dispostas na face medial e inferior do encéfalo, ao redor do diencéfalo e do tronco encefálico, considerado essencial no comportamento emocional. (MELO, et al., 2018, p. 171).
Figura 1
 Resultado de imagem para estrutura límbica



Para quem não conhece a anatomia cerebral, o lobo límbico fica na face medial, no meio, interior, do cérebro e tem estruturas que conduzem as nossas emoções e nos faz ter reações ao meio em que vivemos,
No entanto nem sempre as informações ou estímulos externos nos causam bem estar, por isso é necessário que tenhamos boas emoções para aprendermos, pois os neurônios liberam substâncias químicas que nem sempre são agradáveis. Contudo, ao aprendermos o que gostamos e quando somos recompensados as nossas células neuronais liberam um neurotransmissor chamado Dopamina que nos dão a sensação de bem estar, o que na psicologia Behaviorista chamamos de reforço positivo.
O cérebro está apto a aprender, assim sendo só tem essa pré-disposição para aquilo que tem significado, isso quer dizer que o aprendente precisa saber o que está aprendendo e qual a sua utilidade. Portanto, não são somente as emoções que irão lhe dar condições para fixar os conhecimentos na memória, mas também a utilidade do conhecimento.
Chamamos esse significado de hierarquia do conhecimento que é a capacidade do ser humano saber para que serve tal conhecimento, o que o sujeito irá fazer com o que aprende, mesmo que seja o conhecimento pelo conhecimento que neste caso deve ser explicado ao aluno, pelo professor, que todo conhecimento tem valor, porque este provoca a plasticidade mental e é um exercício para o raciocínio logico, além de despertar a criatividade.
Destarte, o professor deve ser um construtor do conhecimento e perceber o aprendente como o centro da aprendizagem mostrando-lhe o caminho para o conhecimento sendo afetivo e criativo, promovendo aulas lúdicas em que o aluno possa participar e não ser somente mero espectador.
Os jogos, as encenações, as aulas práticas em campo, enfim as teorias colocadas em pratica são subsídios para a hierarquia do conhecimento. Além disso, o professor deve mostrar interesse pela aprendizagem de cada aluno sendo empático e atencioso. Quando se fala em afetividade não significa que o professor deva abraçar e beijar os seus alunos ou trata-los como filho, mas deve mostrar o engajamento na ensinagem buscando métodos diferenciados que possa alcançar todos os aprendentes: aulas tradicionais expositivas não alcançam a todos, por isso o professor deve ser criativo, lúdico.
Passar as mãos nos cabelos, tocar os ombros agradecer, elogiar quando o aluno se envolve com o saber são gestos afetivos, o que faz com que os neurônios liberem a dopamina (neurotransmissor da recompensa) fazendo com que o aluno queira aprender mais e participar das aulas.
O professor deve saber qual é a melhor forma de apresentar os conhecimentos ao aluno de modo que este reconheça os saberes como significante: a apresentação de uma peça de teatro temática, a confecção de um jornal com notícias históricas ou com conteúdo político leva o aluno a entender a sua própria realidade. Nas aulas de História fazer comparações com o que está acontecendo na contemporaneidade faz com que o aprendente entenda que estudar o passado pode mudar o presente e que momentos históricos se repetem. É preciso fazer a ponte entre um período histórico passado com a atualidade: isso é hierarquia do conhecimento, além de despertar afeto.
No sistema límbico temos o Hipocampo que é a região em que se estabelecem as memórias e estruturas que causam emoções, portanto se as emoções forem negativas o aluno bloqueará o conhecimento, visto que as amigdalas cerebrais – pequenas estruturas que se parecem com amêndoas – tem uma relação anatômica com o hipocampo. Uma das funções do corpo amigdaloide é exercer a interface entre as percepções e as emoções: isso significa que essa estrutura percebe o que está acontecendo em nosso entorno e aciona nossas defesas, destarte podemos paralisar correr ou agredir, pois as sensações são de medo e ansiedade.
Um indivíduo com medo ou ansioso não fixa conhecimentos na memória, já que é preciso calma e afeto para que os conhecimentos se fixem. Essa região analisa o nível de ameaça e nos defendem dos perigos. Pensar em um aluno que agride, que atrapalha a aula ou que estagna, é pensar em alguém que está ansioso, com medo ou se sente ameaçado.
Atenção: Pais devem trabalhar a autoestima de seus filhos.

Memória Operacional ou Memória de Trabalho.
A memória não é unitária ela pode ser de longo prazo ou de curto prazo.
Memória de longo prazo: é responsável pelo registro de duração de nossas lembranças permanentes: geralmente as nossas lembranças permanentes estão ligadas às emoções, sejam elas positivas ou negativas.
Memoria de curto prazo: responsável por armazenar acontecimentos recentes, é a nossa memória de trabalho. Quando dormimos guardamos somente as memórias que nos interessam. O cérebro joga fora informações inúteis.

Figura 2.
 Resultado de imagem para memória de trabalho


Memória explicita transitória: conhecimentos adquiridos, lembrados e utilizados conscientemente. Ex: o que comemos no almoço ou número de telefone
Memória Implícita (permanente): a memória se manifesta sem esforço ou intenção consciente, não temos consciência do que estamos nos lembrando. Ex: escovar os dentes ou andar de bicicleta, enfim hábitos diários.
A memória explicita que é transitória, é importante para a regulação do nosso comportamento. Essa memória era chamada de memória de curto prazo, hoje é chamada de memória de trabalho ou operacional.
Informações relevantes – Atenção – Consciência. As memórias relevantes são armazenadas no consciente e depois vão para o subconsciente.
Além da afetividade é preciso ter atenção para armazenar conhecimentos. Portanto, é preciso observar o aluno para verificar se este tem algum déficit ou se problemas familiares estão afetando a aprendizagem, deste modo é preciso que o professor e a comunidade escolar tenham conhecimentos para não julgar injustamente um aluno.






quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O PROCESSO DIAGNÓSTICO




Diagnóstico Psicopedagógico.

A avaliação psicopedagógica tem como objetivo situar os recursos utilizados e as dificuldades do aprendente no processo de apropriação do conhecimento. Pretende-se obter uma compreensão global da forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo em seu processo de aprendizagem e adaptação escolar.
É uma investigação do significado, da causa e da modalidade da aprendizagem do sujeito, suas possibilidades e impossibilidades no que diz respeito à aquisição do conhecimento com visitas do potencial da criança.
De acordo com Weiss (1994, p.18) o objetivo básico do diagnóstico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no modelo de aprendizagem do sujeito que o impedem de conhecer na aprendizagem do sujeito que o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social.
Para Rubinstein (1996, p.134) deve mobilizar o aprendente e seu entorno – família e escola – no sentido da construção de um olhar sobre o não aprender.
“... os momentos do processo diagnóstico que procuram obter todos os dados necessários para compreender o significado, a causação e a modalidade da perturbação que em cada caso motiva a demanda assistencial.” (PAIN, 2008, p. 35)
A sequência diagnóstica dependerá da fundamentação teórica que norteia a prática profissional, o que implica em diferentes abordagens.
A escolha dos primeiros instrumentos a serem utilizados será definida após o primeiro encontro com o avaliando, vale ressaltar que não concebemos uma avaliação padronizada e estanque, pois todo o processo apoia-se na demanda, na escuta e no olhar do terapeuta. A cada encontro com base nas observações colhidas elaboramos um novo sistema de hipóteses sobre as possíveis causas, descartando aquelas que se mostrarem menos prováveis direcionando o trabalho de avaliação, tornando-o mais objetivo (CHAMAT, 2004) e selecionamos os instrumentos de investigação, isso ocorrerá até o final da avaliação quando concluiremos com o parecer ou informe Psicopedagógico embasado nas hipóteses confirmadas ao longo do processo.  

Os procedimentos para a coleta de dados

Entrevista Inicial – essa entrevista é feita em clínica com o responsável pelo paciente, no entanto, na Instituição, seja escolar ou de outro segmento, tem o objetivo de colher os dados sobre a instituição, as inquietações frente as dificuldades vivenciadas pelo grupo: o que se pretende fazer, qual é o principal problema que afeta a comunidade escolar ou o grupo.  O que a equipe pedagógica espera com a intervenção de um Psicopedagogo.
Análise do material escolar ou do PPP – implica em verificar a metodologia utilizada em sala de aula, a organização e estruturação das atividades e o cuidado que cada criança, ou adolescente, tem com o material escolar. Quais matérias são utilizados nos ensino fundamental e médio. No caso das escolas infantis (creche e pré-escola), se o material é apropriado para a idade, se as crianças tem acesso aos brinquedos, quantidade de brinquedos e materiais pedagógicos per capita, se os brinquedos são didáticos e estimulantes, a qualidade dos brinquedos, etc.
Avaliação comportamental e pedagógica/ Relatório escolar – transmitem a visão dos professores sobre a conduta dos alunos em sala de aula, o relacionamento com os colegas e a relação entre os profissionais, enfim como está o relacionamento da comunidade escolar – no caso de empresas de outros segmentos como está a relação social dos colaboradores – além do planejamento das aulas.

Inicialmente são feitas três entrevistas: com a equipe pedagógica, com o corpo docente e com a família – neste caso é preciso marcar uma reunião com os pais conforme necessidade e indicação da equipe pedagógica.
As entrevistas e orientação às famílias são feitas conforme relatório escolar e indicação dos professores, no entanto é possível fazer uma reunião com os pais para orientá-los sobre as dificuldades de aprendizagem. 

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